O Bem Amado
19 de janeiro de 2010
O Bem-amado foi uma telenovela brasileira escrita por Dias Gomes, produzida pela Rede Globo e levada ao ar de 24 de janeiro a 9 de outubro de 1973, às 22h, com direção de Régis Cardoso e supervisão de Daniel Filho. Era inspirada numa peça teatral do próprio autor, de título Odorico, o Bem-Amado ou Os Mistérios do Amor e da Morte, escrita em 1962.
Trama
Primeira novela produzida em cores na televisão brasileira.[1] O prefeito Odorico Paraguaçu, um político corrupto e cheio de artimanhas, tem como meta prioritária em sua administração na cidade fictícia de Sucupira, litoral baiano, a inauguração do cemitério local. De um lado, é bajulado pelo secretário gago, Dirceu Borboleta, profundo conhecedor dos lepidópteros; e conta com o apoio incondicional das irmãs Cajazeiras, suas correligionárias e defensoras fervorosas: Dorotéia, Dulcinéia e Judicéia.

Dorotéia é a mais velha, líder na Câmara de Vereadores da cidade. Dulcinéia, a do meio, é seduzida pelo prefeito. E Judicéia é a mais nova – e mais espevitada. São três solteironas avessas a imoralidades – pelo menos em público, já que Odorico sempre aparece de noite para tomar um “licor de jenipapo”…
De outro, tem que lutar com a forte oposição liderada pela delegada de polícia Donana Medrado, que conta com o dentista Lulu Gouvêia, inimigo mortal do prefeito e líder da oposição na Câmara – atracando-se constantemente com Dorotéia no plenário. E ainda com o jornalista Neco Pedreira, dono do jornal local, A Trombeta. O meio-termo se intensifica com a presença de Nezinho do Jegue, defensor fervoroso de Odorico quando sóbrio, e principal acusador, quando bêbado!
Maquiavelicamente, o prefeito arma tramas para que morra alguém, sendo sempre mal sucedido. Nem as diversas tentativas de suicídio do farmacêutico Libório, um tiroteio na praça e um crime lhe proporcionam a realização do sonho. Para obter êxito, Odorico traz de volta a Sucupira um filho da terra: Zeca Diabo, um pistoleiro redimido, que recebe a missão de matar alguém para a inauguração do cemitério.
Como se não bastasse, Odorico ainda tem que enfrentar os desaforos de Juarez Leão, médico personalístico da oposição, que se envolve com sua filha Telma e faz um bom trabalho em Sucupira, salvando vidas – para desespero de Odorico.
Ao final, uma irônica surpresa: Zeca Diabo, revoltado, mata Odorico, que, finalmente, inaugura o cemitério!
Em 1996, no Chile, a história foi adaptada com o título de Sucupira, tendo alcançado grande sucesso.
O Bem Amado, Foi gravado em Sepetiba.
Elenco
- Paulo Gracindo – Odorico Paraguaçu
- Lima Duarte – Zeca Diabo (José Tranquilino da Conceição)
- Emiliano Queiroz – Dirceu Borboleta (Dirceu Fonseca)
- Ida Gomes – Dorotéia Cajazeira
- Dorinha Duval – Dulcinéia Cajazeira
- Dirce Migliaccio – Judicéia Cajazeira
- Jardel Filho – Dr. Juarez Leão
- Samuel Bertoldo – Amigo de Odorico Paraguaçu
- Rainer Wendell Oliveira – Amigo de Odorico Paraguaçu
- Sandra Bréa – Telma Paraguaçu
- Zilka Salaberry – Donana Medrado
- Carlos Eduardo Dolabella – Neco Pedreira
- Lutero Luiz – Lulu Gouvêia
- Milton Gonçalves – Zelão das Asas
- Gracindo Jr. – Jairo Portela
- Maria Cláudia – Gisa
- Dilma Lóes – Anita Medrado
- João Paulo Adour – Cecéu Paraguaçu
- Rogério Fróes – Vigário
- Ruth de Souza – Chiquinha do Parto
- Ana Ariel – Zora Paraguaçu
- Angelito Mello – Mestre Ambrósio
- João Carlos Barroso – Eustórgio
- Arnaldo Weiss – Libório
- Wilson Aguiar – Nezinho do Jegue
- Antônio Carlos Ganzarolli – Tião Moleza
- Ferreira Leite – Joca Medrado
- Augusto Olímpio – Cabo Ananias
- Apolo Corrêa – Maestro Sabiá
- Juan Daniel – Dom Pepito
- Suzy Arruda – Florzinha
- Isolda Cresta – Nancy
- Guiomar Gonçalves – Maria da Penha
- André Valli – Ernesto Cajazeira
- Nanai – Demerval Barbeiro
- Jorge Botelho – Nadinho
- Teresa Cristina Arnaud – Mariana
- Auricéia Araújo – Mãe de Zeca Diabo
- Milenka Rangan – Telma
- Júlio César – Isaque
- Participações especiais
- Álvaro Aguiar – Coronel Hilário Cajazeira
- Rafael de Carvalho – Coronel Emiliano Medrado
Curiosidades: 
- A peça que deu origem a O bem-amado foi escrita por Dias Gomes em 1961 por encomenda de Flávio Rangel, que dirigia o Teatro Brasileiro de Comédia, na época. Baseando-se em um fato ocorrido numa pequena localidade no Espírito Santo – um candidato à prefeitura fora eleito prometendo construir um cemitério –, o autor escreveu a peça apressadamente e ficou insatisfeito com o resultado. Odorico, o bem-amado, e os mistérios do amor e da morte não foi montada na ocasião e só chegou ao público dois anos depois, publicada pela revista Cláudia. Em 1969, a peça foi encenada pelo Teatro Amador de Pernambuco. Em 1970, estreou no Rio de Janeiro, em uma montagem de Gianni Rato, com Procópio Ferreira no papel de Odorico Paraguaçu. Para a televisão, o autor desenvolveu mais os personagens e criou novos, como Juarez Leão, Donana Medrado e Zelão das Asas.
- Paulo Gracindo considerava Odorico Paraguaçu o seu melhor personagem. Em entrevista a O Globo em 1993, o ator declarou que Odorico era um sucesso tão grande que os prefeitos de todas as cidades que visitou, durante e depois da novela, queriam tirar fotos ao seu lado.
- Lima Duarte havia sido contratado pela TV Globo em 1972 para dirigir O bofe, reeditando a parceria vitoriosa com Bráulio Pedroso, com quem trabalhara em Beto Rockfeller (1969), sucesso da TV Tupi. Entretanto, O bofe não teve o retorno esperado, e o ator estava já no fim do seu contrato com a emissora, quando foi escalado para fazer um pequeno papel em O bem-amado. O personagem, que tinha importância modesta na peça original de Dias Gomes, acabou crescendo e permaneceu até o final da trama, tornando-se um dos seus papéis mais memoráveis na televisão.
- Sandra Bréa estreou em telenovelas em O bem-amado.
- Em julho de 1973, a Censura Federal proibiu que as palavras “coronel” fossem pronunciadas em O bem-amado. “Coronel” era a forma como alguns personagens – especialmente Zeca Diabo – tratavam o prefeito Odorico Paraguaçu. Os militares achavam que Dias Gomes se referia a um coronel de patente militar, quando, na verdade, ele fazia alusão aos “coronéis” do sertão da Bahia: políticos e fazendeiros que usavam sua influência para exercer poder sobre a população. A produção da novela foi obrigada a cortar a palavra de vários capítulos. A censura também implicou com as palavras “capitão” – forma como Odorico se referia a Zeca Diabo –, “ódio” e “vingança”, obrigando a equipe de produção a apagar o áudio de vários capítulos que já haviam sido gravados.
- O bem-amado foi a primeira produção da TV Globo a ser exportada e abriu o mercado estrangeiro para os produtos nacionais. Até então, apenas textos eram comercializados. O diretor Paulo Ubiratan reeditou os 178 capítulos originais, e a novela foi exibida com 223 capítulos pela emissora Televisa, do México, em 1975. Foi um sucesso, e Paulo Gracindo ganhou, no mesmo ano, um prêmio no México. O bem-amado foi vendida para vários outros países da América Latina e Estados Unidos, por intermédio da Spanish International Network. A novela também foi exibida na Nicarágaua, no Peru e em Portugal.
- Uma versão de O bem-amado – com 60 capítulos –, reeditada por Paulo Ubiratan, foi ao ar entre janeiro e junho de 1977. 
- O enorme sucesso de O bem-amado gerou um seriado com o mesmo nome, que estreou em 1980, com a ressureição do prefeito Odorico Paraguaçu, e permaneceu cinco anos no ar.
- O antológico Dirceu Borboleta voltou à televisão em 1990 como um dos integrantes da Escolinha do Professor Raimundo, de Chico Anysio.

- No capítulo final, Zeca Diabo vai até o gabinete do prefeito e o mata com três tiros . Nos seus últimos suspiros, cercado por Adalgisa e Dorotéia Cajazeira, que chegaram à prefeitura pouco depois dos tiros, Odorico faz questão de tentar salvar sua imagem e diz que sua morte havia sido coisa da oposição: “Interesses antipatrióticos… Uma trama internacional… Uma superpotência… Materiais atômicos… Eles querem Sucupira! Querem dominar o mundo…”
- Zeca Diabo se despede da família e parte de Sucupira. O cemitério da cidade é, finalmente, inaugurado, e Odorico é o primeiro a ser enterrado, com discurso de Lulu Gouvêia: “Adeus, Odorico, o grande, o pacificador, o desbravador, o honesto, o bravo, o leal, o magnífico…”
- O bem-amado teve ainda outro personagem antológico: o pescador Zelão das Asas (Milton Gonçalves). Desde que escapou com vida de um temporal, ele prometeu a Bom Jesus dos Navegantes que, em agradecimento, um dia iria voar até as alturas para provar que tinha fé. Durante toda a novela, Zelão construiu vários pares de asas feitos com pano e diversos tipos de metal e madeira tentando alçar vôo, sem sucesso.
- Na cena final, Zelão sobe no alto da torre da igreja. A imagem congela e a voz de um narrador diz: “Aqui, a nossa história pára, pois tudo o que sabemos daí em diante é de ouvir contar. Não é que a gente não acredite, pois caso um dia você vá a Sucupira vai ver que lá ninguém duvida.” A cena volta a ganhar movimento. Zelão faz o sinal da cruz e, diante dos rostos pasmos dos moradores de Sucupira, se atira do alto da igreja. Todos murmuram entre si que ele está voando, e uma tomada do alto mostra o ponto de vista de Zelão planando sobre a praça. A voz do narrador, então, retorna: “E Zelão vôou. Se você duvida, é um homem sem fé” .
Filed under: Especial Novelas Antigas
0

Deixe um Comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.
TrackBack URL | Feed RSS para comentários sobre este post.