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A História das
Premiações da TV Brasileira
A história dos prêmios na televisão brasileira começa
no ano de 1952, com a decisão da Associação dos Funcionários das Emissoras
Unidas (rádios Bandeirantes, Record, Pan-Americana e São Paulo) de estender sua
premiação aos melhores do rádio também aos profissionais da recém criada
TV.
ROQUETTE-PINTO
Em 16 de dezembro de 1952 um júri, composto por
jornalistas e colunistas de radio e TV dos principais jornais e revistas
especializadas e sob a coordenação da ACRESP (Associação dos Cronistas
Radiofônicos do Estado de São Paulo), divulgou a lista dos melhores da TV
daquele ano, sendo todos os premiados ligados à TV TUPI, então a única emissora.
O prêmio ROQUETTE-PINTO, que começou em 1950 para os melhores do rádio
paulistano, iniciava sua importante participação na história da TV.
OS
PRIMEIROS PREMIADOS COM O ROQUETTE
| produtor de TV |
DIONÍSIO
AZEVEDO |
| diretor de TV |
CASSIANO GABUS
MENDES |
| ator |
LIMA
DUARTE |
| atriz |
LIA DE
AGUIAR |
| prêmio especial |
WALTER
STUART |
| preito de saudade |
FRANCISCO
ALVES |
| menção honrosa |
ROQUETTE-PINTO |
O ROQUETTE-PINTO teve ao longo de sua história 26
edições e já na década de 50 ganhava grande e prestigiosa cobertura televisiva,
ao vivo, pela TV RECORD, e TV PAULISTA em alguns anos, conquistando grandes
índices de audiência.
O êxito do Roquette colaborou para a criação de um
novo troféu, também organizado pela AFEU, exclusivamente para os melhores da
música, chamado CHICO VIOLA, em homenagem a Francisco Alves, que perdurou de
1958 até 1972.
Em 1960 foi instituída a GALERIA DE OURO do
Roquette-Pinto, para os laureados que atingissem 6 premiações, contando radio e
TV. Ao atingir 6 trofeús, o artista ganhava o Roquette de Ouro e não podia mais
concorrer, tornando-se “hors-concurs”. Mas em 1967 essa regra foi abandonada, e
os “roquetados de ouro” voltaram a competir normalmente.
Em 1971, após a
Festa do XXI Roquette-Pinto, a TV Record decidiu suspender a premiação,
retornando em 1978, no seu Jubileu de Prata. Mas dessa vez o Roquette deixou de
premiar exclusivamente os astros e estrelas do rádio e da TV. Passou a entregar
troféus também para os melhores da indústria, da publicidade, da educação.
Seguiu assim até 1982, quando houve a sua última edição. Atualmente a Record
ainda detém os direitos sobre o prêmio. TUPINIQUIM
Uma outra premiação
importante foi o prêmio TUPINIQUIM, que também premiava os melhores do rádio e
da TV. O prêmio nasceu em 1957 no programa pioneiro da TV TUPI, chamado OS
MELHORES DA SEMANA, apresentado em São Paulo por AYRTON RODRIGUES e MÁRCIA REAL
e no Rio de Janeiro por CARLOS FRIAS. O programa premiava semanalmente os
melhores da TV em cada categoria e no final do ano, com a somatória dos prêmios,
os mais laureados ganhavam os troféus de Melhores do Ano. Esse formato começou
em 1955. Dois anos depois as emissoras Associadas ampliaram a premiação, o
troféu passou a se chamar TUPINIQUIM e a premiação se transformou numa luxuosa
festa no Teatro Municipal de São Paulo, sendo a primeira realizada em janeiro de
1958.
Em dezembro de 1960 a direção das Emissoras Associadas de São
Paulo decidiu deixar de realizar por si mesma a escolha dos melhores da TV, em
razão do recém instituído TROFÉU IMPRENSA, já que os Associados tinham um
representante naquele troféu, o jornalista MÁRCIO PAULIETE. E decidiram que
todos os ganhadores do Troféu Imprensa receberiam automaticamente o Tupiniquim,
em janeiro de 1961, quando o prêmio foi entregue pela última vez.
TROFÉU IMPRENSA
Em 1960 foi lançado
o TROFÉU IMPRENSA, por iniciativa da SÃO PAULO NA TV, uma das principais
revistas especializadas em TV da capital paulista, lançada no ano anterior.
Nessa época o jornalista PLÁCIDO MANAIA NUNES, diretor da publicação notou que
começavam a surgir rumores sobre supostos favorecimentos nas premiações
televisivas já existentes. Isto porque o ROQUETTE PINTO era realizado ela TV
RECORD, o TUPINIQUIM pela TV TUPI e a premiação de outra revista, a 7 DIAS NA
TV, era apoiado pela TV EXCELSIOR. Além disso as emissoras que não promoviam
premiações, TV PAULISTA e TV CULTURA , começavam a sentir dificuldades para ter
seus artistas escolhidos e premiados. Plácido propôs ao proprietário da SÃO
PAULO NA TV, ANTONIO BRUSCO e ao redator geral daquela publicação, THEOTÔNIO
PAVÃO, a idéia de se criar um troféu reunindo representantes de todos os jornais
e revistas que cobriam a área televisiva. No dia 27 de dezembro de 1960 um
heterogêneo grupo de 15 jornalistas, representantes de todos os principais
órgãos de imprensa paulistanos, se reuniram na BIBLIOTECA MUNICIPAL MÁRIO DE
ANDRADE e depois de horas de discussões e debates, finalmente escolheram os
melhores da TV de 1960. E em 1 de janeiro de 1961, deu-se a grandiosa festa, no
Teatro Municipal de São Paulo, que outrora, já abrigara entregas de Roquettes e
Tupiniquins. As emissoras de SP prestigiaram o primeiro TROFÉU IMPRENSA,
enviando seus artistas e técnicos para receber suas justas láureas. TUPI,
CULTURA, PAULISTA e EXCELSIOR transmitiram em rede a premiação. A RECORD não
participou. Discordou dos critérios de escolha e proibiu seu casting de
comparecer a festa.
A PRIMEIRA LISTA DO TROFÉU
IMPRENSA
| comediante |
RONALD
GOLIAS |
| humorista |
RENATO
CÔRTE-REAL |
| produtora de TV |
MARIA TEREZA
GRÉGORI |
| produtor de TV |
MANOEL
CARLOS |
| balé |
MARIA PIA
FINOCCHIO |
| garota-propaganda |
NEIDE
ALEXANDRE |
| cantora |
MORGANA |
| repórter de TV |
JOSÉ CARLOS DE MORAES
(TICO-TICO) |
| revelação feminina |
GLÓRIA
MENEZES |
| revelação masculina |
JUCA
CHAVES |
| telejornal |
REPÓRTER
ESSO |
| humorista feminina |
CONSUELO
LEANDRO |
| diretor de TV |
CASSIANO GABUS
MENDES |
| cenógrafo |
RENZO
FONZENIGO |
| comentarista esportivo |
ARY
SILVA |
| comentarista político |
MAURÍCIO LOUREIRO
GAMA |
| conjunto musical |
FARROUPILHA |
| orquestra |
ENRICO
SIMONETTI |
| locutor esportivo |
RAUL
TABAJARA |
| apresentador |
J.
SILVESTRE |
| apresentadora ou animadora |
BIBI
FERREIRA |
| menção honrosa |
ASSIS CHATEAUBRIAND
(pela expansão da TV no Brasil) |
| apresentador ou apresentadora de telejornal |
KALIL
FILHO |
| novelista infantil |
JÚLIO
GOUVEIA |
| programa de TV |
TV BRASIL
60 |
| equipe técnica |
TV
TUPI |
| atração musical internacional |
SAMMY DAVIS
JR. |
| produtor infantil |
ZAÉ
JR. |
| atriz |
MÁRCIA
REAL |
| ator |
LIMA DUARTE (por
Galdino em "O Último dos Morumgabos") |
| cantor |
FRANCISCO
EGYDIO |
No segundo ano do Troféu Imprensa houve outra
inovação: a eleição passou a acontecer no Sindicato dos Jornalistas do Estado de
São Paulo. O presidente do sindicato era o presidente da reunião e o jornalista
Plácido Manaia Nunes, o coordenador dos trabalhos. Ele não votava pois sua
revista, a SÃO PAULO NA TV, já estava representada por seu proprietário Antonio
Brusco. Isso tudo deu ao Troféu Imprensa uma grande credibilidade e no mundo
artístico criou-se uma grande expectativa, para cada lista dos melhores da TV.
O Troféu Imprensa seguiu no formato original durante toda a década de
60, passando por uma primeira reformulação em 1969, quando passou a ter duas
partes: a tradicional reunião dos jornalistas para a definição da lista dos
melhores e uma inovadora reunião, três dias depois no PROGRAMA SILVIO SANTOS,
então pela TV GLOBO. Lá era promovido um grande show de TV com o encontro dos
jornalistas- eleitores e os 4 artistas indicados para cada categoria em
julgamento, acompanhados por um auditório lotado. Depois de grande mistério,
Silvio Santos chamava um a um os artistas eleitos em cada categoria, dando o
Troféu Imprensa ao respectivo vencedor. A exemplo do ocorrido nove anos, a TV
RECORD não autorizou seu elenco a tomar parte do programa que divulgou os
melhores de 1969, impedindo que artistas como Roberto Carlos, Nilton Travesso e
Manuel Carlos ganhassem seus troféus, pois fora criada naquele ano a regra onde
o artista eleito pelo júri do Troféu Imprensa deveria estar presente na data da
divulgação dos ganhadores, sob pena de perder o troféu (a categoria seria
considerada sem vencedor). Foi o que ocorreu com os artistas da Record, naquele
ano.
Em 1970 a revista SÃO PAULO NA TV já estava extinta e Plácido
Manaia Nunes, antes de adquirir a revista MELODIAS, decidiu passar os diretos do
Troféu Imprensa ao animador SILVIO SANTOS, que a partir daquele ano passou a ser
o responsável não só pela apresentação do prêmio, mas também pela produção e
organização do evento. Nessa nova fase, além da Melodias a revista Amiga também
passou a colaborar na organização do Troféu Imprensa, inclusive sendo a
coordenadora da edição referente ao ano de 1970, realizada em janeiro de 1971,
sendo essa edição a primeira que contou com jurados de revistas e jornais
cariocas, dando caráter nacional ao Troféu Imprensa, que naquele ano, ganhou um
nome extra: “Troféu dos Jornalistas”.
Posteriormente o Troféu Imprensa
passou a contar em seu júri, exclusivamente com presidentes de Sindicatos de
Jornalistas e de Radialistas do Brasil inteiro. Em 1974, por exemplo, foram 11
Estados representados, mais o criador do Troféu, Plácido Manaia Nunes, que tinha
cadeira cativa, por ter idealizado o premio e por dirigir uma revista de TV, a
MELODIAS.
O Troféu Imprensa foi exibido através da TV GLOBO entre 1969
até 1975 ( com grandes festas para os muitos premiados da emissora e vencedores
de outras emissoras como a Tupi e a Record), pela Tupi em 1976, pela Record (e
TVS do RJ) em 1980. Desde 1981 a promoção ocorre no SBT. O TROFÉU IMPRENSA se
configurou como o mais antigo e duradouro prêmio da TV brasileira, chegando em
2007 a sua 43ª edição.
EM BREVE
Em breve você vai ter aqui
a historia de outros importantes prêmios da TV: o PRÊMIO APCA (da Associação
Paulista dos Críticos de Arte), surgido em 1972, incentivado pela grande crítica
Helena Silveira, o pioneiro troféu ANTENAS DE OURO, da Revista Radiolândia ,
surgido em 1955 no Rio, o TROFÉU DA REVISTA DO RADIO, que nasceu em 56, o premio
CONTIGO e de várias outras iniciativas que embora não tenham tido uma vida
longa, marcaram a sua época.
Colaboração de: FABIO REJAILI SIQUEIRA,
sociólogo, advogado e pesquisador da história da televisão, 28 anos, morador da
capital paulista. Em pesquisa, Siqueira é especializado em Premiações da TV e possui, em preparo, um
livro sobre o tema.
Fonte:
http://www.museudatv.com.br/
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