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"Vozes Sem Rostos"
Houve um
tempo em que era difícil assistir a um filme dublado no Brasil, pois esta
tecnologia ainda andava a passos lentos por aqui, e claro, ainda não existia a
TV, o vídeo, a TV por assinatura e muito menos o DVD. O cinema era a única opção
para se ver os astros da época, restringindo muito seu público.
Depois da
chegada da TV aos lares tupiniquins, o aparelho mágico passou a reinar em
absoluto, sendo que a dublagem era a única maneira de se entender bem os filmes,
séries e desenhos, que na sua grande maioria eram americanos. Inicialmente, as
legendas foram usadas para tradução, mas a má qualidade da imagem das tevês
dificultava a leitura. Sem contar que muitas pessoas não sabiam ler.
A dublagem
no Brasil começou com desenhos animados estrangeiros que começaram a ser
exibidos no cinema. Isso permitiu ao público infantil entender e se deliciar com
as grandes obras do cinema de animação. No Brasil, em 1938, nos estúdios da
CineLab de São Cristóvão/RJ, o filme "Branca de Neve e os Sete Anões"
marcou o início das atividades da dublagem brasileira, seguido por outras
criações dos estúdios de Walt Disney, como "Pinocchio", "Dumbo" e "Bambi".
Carlos de la Riva, atual dono da Delart Estúdios Cinematográficos, foi o
primeiro técnico de áudio a trabalhar com dublagem no Brasil.
Com o
sucesso da televisão, a necessidade de dublagem para a tela pequena se tornou
imperativa e, aos poucos, os brasileiros se acostumaram à idéia - quase
inconcebível na época - de assistir aos grandes astros de Hollywood falando
português.
Em São
Paulo, o estúdio Gravasom foi fundado em 1958/59, numa associação da
empresa americana Screen Gems (da Columbia Pictures) com
Hélio Alvarez e Mário Audrá Jr., que era sócio da empresa Cinematográfica
Maristela. "Ford na TV", programa que apresentava pequenos dramas de 30
minutos, foi a primeira série dublada a se apresentar na TV Brasileira. Logo em
seguida, a Gravasom dublou as séries Lanceiros de Bengala,
Rin-Tin-Tin e Papai Sabe Tudo.
Os
primeiros elencos de dublagem foram integrados por rádio-atores. Eram vozes
consagradas na época pelo sucesso das rádio-novelas. E assim começou a ser
escrita a história da dublagem brasileira, que apesar de todas as dificuldades
tecnólogicas, estruturais e do preconceito da crítica brasileira, acabou se
firmando ao longo dos anos, transformando-se em uma atividade importante,
respeitada e com excelente qualificação internacional.
Muitos
filmes nacionais também eram dublados até os anos 70. Como capturar o áudio de
cenas externas era muito caro, optou-se pelo próprio ator dublar sua voz (com
algumas excessões).
Podem me
chamar de saudosista, mas acho simplesmente maravilhosa a dublagem feita nas
décadas de 60 e 70, principalmente pelo talento dos responsáveis e pela completa
sintonia que existia entre dublador e personagem. Ainda ecoa na mente deste
cinéfilo - e com certeza na de muitos outros saudosistas - as vozes das
aberturas de alguns programas que ainda hoje trazem boas lembranças de um tempo
que não volta mais.
Vamos Recordar?
"Versão
brasileira... AIC - São Paulo" (sigla de Arte Industrial Cinematográfica). Além
dele, haviam a BKS, Telecine, VTI, TV Cinesom,
Álamo, Cinevídeo, Peri Filmes, Cine Castro,
Ibrasom e Herbert Hichers. Este último, sem dúvida, o mais famoso
de todos os estúdios, fundado em 1950.
A qualidade
da nossa dublagem, sem dúvida, é percebida quando assistimos principalmente aos
cultuados seriados e desenhos do tempo em que todos os dubladores gravavam
reunidos em um único estúdio - como nas antigas rádio-novelas, onde todos os
atores trabalhavam juntos. Hoje isso não ocorre mais, pois utiliza-se o
loop. Neste esquema de trabalho, cada dublador grava todas as suas falas
individualmente. A independência é tamanha que muitos dubladores nem chegam a se
encontrar no estúdio.
Antes que
me atirem a primeira pedra, também falarei da dublagem dos anos 80 e 90, tão boa
quanto as do passado mais distante, mais sem o aroma (ou som) de nostalgia,
obviamente por serem mais recentes. Agora você irá conhecer alguns destes
"conhecidos-desconhecidos", numa galeria que inclui algumas das vozes mais
amadas do Brasil.
Doces Bárbaros!
Orlando
Drummond: Também conhecido como "Seu Perú" nos humorísticos da Rede
Globo, é uma lenda viva que continua na ativa, e tem em seu currículo de
dublagem uma infinidade de personagens conhecidos do público. Alguns deles:
Bionicão, Scooby-Doo,
Popeye, Gargamel (Os Smurfs), Alf, Sargento Garcia (Zorro), Arnie Barkley (na série Os Caretas), o
cachorro Jip (As Aventuras do Dr. Dolittle), o velhinho Tyrone
(Charlie Gato & Os Super Velhacos), Vingador (Caverna do
Dragão), Hong Kong Fú, Oliver Hardy (na versão animada de O Gordo e o
Magro), o bruxo Gargamel (Os Smurfs), Gato Guerreiro
(He-Man), a Coisa e Assombroso (Gasparzinho, o Fantasma
Espacial). Em seus trabalhos mais recentes, fez Puro-Osso (As Terríveis
Aventuras de Billy e Mandy), Sr. Coelho (A Mansão Foster para Amigos
Imaginários) e Múmia (Aqua Teen Hunger Force).
Lima
Duarte hoje está aposentado da dublagem, mas no passado ele já fez bonito:
Manda-Chuva, Wally Gator e Dum Dum (Tartaruga Touché).
José
Santa Cruz: Como a grande maioria
dos veteranos, é oriundo do rádio. Um dia um amigo lhe fez um desafio propondo
que passasse a ser dublador, visto que ele já era ator, locutor e comediante. Em
1978, Santa Cruz começou a dublar o Xerife Lobo, J. J. Jameson (1ª temporada do
desenho Homem Aranha de 1966), Dennis Franz (Nova York Contra o
Crime) e Dino da Silva Sauro (Família Dinossauro). Atualmente
trabalha no "Zorra Total" da Rede Globo.
Henrique Ogalla também veio do rádio e tevê.
Começou a dublar em 1956 e tem no currículo Robin (na 3ª temporada da série
Batman), Bob (Caverna do Dragão), Tocha Humana (Quarteto
Fantástico), Brandon (Barrados No Baile), Príncipe Turan (Os
Cavaleiros da Arábia), o soldado Digley (Corrida Maluca), Zilly
(Máquinas Voadoras) e
Alan (Josie e as Gatinhas).
Carlos
Alberto Vaccari: Dono de uma voz invejável,
Vaccari é o responsável por aquela voz entonada, que dizia "Versão
Brasileira, AIC, São Paulo". Também fez
várias vozes, como a do Multi-Homem (Os Impossíveis), Hoss (Bonanza) e Mingo (Daniel
Boone). Tive informação há dois anos atrás de que ele estava vivo, porém,
doente.
Mário
Monjardim, conhecido como Monja, foi ao
dentista aos 17 anos, mas o consutório tinha mudado. O prédio passou a ser da
Rádio Vitória e surpreendeu-se quando a secretária comentou que estava fazendo
inscrições para jovens talentos. Anos depois, tornou-se dublador do Frangolino
(desenho clássico da Turma do Pernalonga), Salsicha (Scooby-Doo), Zé Bolha (Zé Bolha & Juca Bala),
Cláudio Perturbado (Os Tremendões), Hank (Devlin, o Motoqueiro), o
venusiano Vinny (A Família Dó-Ré-Mi -
Ano 2200), Capitão Caverna (As Panterinhas) e das vozes dos
atores Jerry Lewis, Gene Wilder e Jack Lemmon.
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Orlando Drumond, Lima Duarte, José
Santa Cruz, Henrique Ogalla e Mário
Monjardim. |
Borges de Barros: Trabalhou na Praça da
Alegria, onde era um mendigo com pinta de rico. Foi o dublador fixo de Moe
Howard (Os Três Patetas), Pingüim (na 1ª e 2ª temporadas da série Batman), Dr. Smith (Perdidos no Espaço), o gênio Baboo
(na série animada Jeannie), Capitão Roland (E as Noivas Chegaram), Zeca Urubu e vários
personagens secundários em Pica-Pau. Também dublou muitos atores e
personagens coadjuvantes.
José Soares fez em sua longa carreira Shemp
Howard (Os Três Patetas), Mr. Magoo, Sr. Peebles (Maguila, o
Gorila), Peter Potamus, além de vários outros coadjuvantes.
Older
Cazarré teve uma morte trágica em 1992, aos
57 anos, quando foi atingido por uma bala perdida ao dormir em seu apartamento
no Rio de Janeiro. Atuou como ator em dezenas de filmes e novelas e sua maior
qualidade como dublador era a de usar sua voz de forma caricata nos vários
personagens que encarnou de forma genial: Dom Pixote, Gênio
(Manda-Chuva), Professor Gizmo (Jambo e Ruivão), Homem-Garra
(He-Man), Zé Colméia (série clássica), Plic (Plic, Ploc &
Chuvisco), Senhor Peebles (2ª voz em Maguila o Gorila), Homem-Fluído
(Os Impossíveis), Rato Minuto (Gato Corajoso e Rato Minuto) e
Jaiminho, o carteiro (Chaves).
Olney Cazarré herdou do irmão Older todo os
cacoetes das vozes de seus personagens. Era também um excelente dublador. Ficou
conhecido do público ao atuar como um corintiano fanático na "Escolinha do
Professor Raimundo" da Rede Globo. Também já faleceu. Dublou: Hadji Singh
(Jonny Quest), Goober
(Goober e Os Caçadores de Fantasmas), Coelho Ricochete, Checov (na
dublagem original da série clássica de Jornada nas Estrelas), Jace
(Space Ghost), Speed Buggy, Skyfire (Transformers), Ray
(Dallas), Fofoquinha (2ª voz em Matraca-Trica & Fofoquinha),
Soldado da Orda (She-Ra), James Stephens/Dick York (A Feiticeira), Pica-Pau e Micky Dolenz (Os Monkees).
Waldir
Sant'anna: Interpretou o personagem
Terêncio, capataz de Sinhozinho Malta na novela global "Roque Santeiro". Como
dublador, encaixou como uma luva sua voz grave no personagem Homer (Os
Simpsons), fez o Engenheiro Scotty (na redublagem da série clássica de
Jornada nas Estrelas) e as vozes do ator Eddie Murphy. Também dirigiu
muitos filmes.
Isaac
Bardavid: Fez o papel de um capataz na novela "Escrava Isaura", onde o
público passou a reconhece-lo. Trabalhou na versão antiga do "Sítio do Pica-Pau
Amarelo", no papel de Seu Elias. Especializou-se em dublar vilões como Esqueleto
(He-Man). Também dublou o chefão Foco 1 (Dinamite, o Bionicão),
Adam Cartwright (Bonanza),
Capitão Haddock (As Aventuras de Tintin) e o carro Kitt em
Super-Máquina.
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Borges de Barros, Older Cazarré,
Olney Cazarré, Waldir Sant'anna e Isaac
Bardavid. |
Celso Vasconcelos iniciou sua jornada em 1969.
Depois tornou-se veterinário mas voltou a dublar anos depois. Não gostou dos
novos métodos digitais de dublagem e encerrou sua carreira. Dublou John Boy em
Os Waltons, Tenente Columbo (Columbo), Ernie Devlin (Devlin, o
Motoqueiro), Dan Moroboshi (Ultra Seven), Líder Optimus
(Transformers), Aquaman, Ed (Laboratório Submarino) e o Dr. Ben
Cooper (Jana, a Rainha das Selvas).
Francisco Milani: Falecido em 2005, o ator global
atuou em "Armação Ilimitada" (Chefe), "A Grande Familia" (Tio Juvenal) e por
fim, Saraiva em "Zorra Total". Dublou Cabeludo (O Urso do Cabelo Duro) e
Thomas Magnum (Magnum).
Carlos
Marques: Sua voz com tom jovial e inconfundível foi emprestada a Garfield
(na versão original para a TV), Gaguinho (Porky Pig), Homem-Aranha/Peter
Parker (2ª voz no desenho Homem-Aranha), Homem-Aranha/Peter
Parker/Nicholas Hammond (na série de TV do Homem-Aranha),
Homem-Aranha/Peter Parker (na dublagem original do desenho Homem-Aranha e
Seus Amigos), Super Mouse, Patolino (Merrie Melodies Show), Robin
(Super-Amigos), D'Artagnan (D'Artagnan e os Três Mosqueteiros),
Moleza (O Esquilo Sem Grilo), Estática (Os Brasinhas do Espaço),
Sansão (O Jovem Sansão), Tor (2ª voz em Moby Dick), Alexander
Cabot III (Josie e As Gatinhas), Risada (dublagem original de Carangos
& Motocas), Scooby-Loo (2ª voz, em Scooby-Doo), Sargento Dudu
(dublagem original de O Inspetor), Bombom (Bombom & Maumau),
Pancho (Toro & Pancho), Besouro Japonês (toli-toli-tolá) (A
Cobrinha Azul), Louie (O Poderoso Cachorrão), Harry Bicudo (Meu
Amigo, o Tubarão), Tenente Starbuck/Dirk Benedict (Galactica – Astronave
de Combate), Tatoo/Hervé Villechaize (nas duas dublagens de Ilha da
Fantasia), Robin/Dick Greyson (As Novas Aventuras de Batman), Derek
Wildstar (Patrulha Estelar) e o cavalo Molenga (O Xerife Hoot
Kloot). Trabalhou no rádio-teatro e dublou também muitos filmes. Está na
ativa até hoje.
Marcelo
Gastaldi: Dublador que faleceu precocemente
aos 50 anos, foi o responsável por toda a dublagem dos filmes, desenhos e séries
que o SBT
dublou em seus primeiros anos de vida. Gastaldi, dono do estúdio Maga,
dublou Chaves, Chapolin Colorado, Minduim (dublagem original de Snoopy),
Ralph (Super-Herói Americano), Carlos Ramirez (A Noviça Voadora) e
Michael Nesmith (Os Monkees). Também foi ator e cantor do grupo "Os
Iguais" da "Jovem Guarda".
Carlos
Campanile: Dublou Tony Newman (O Túnel do Tempo), Sr. Scotty (na dublagem original da
série clássica de Jornada nas Estrelas), Martin Landau (nas três últimas
temporadas da série clássica Missão: Impossível, Glen Ford ( Glen Ford é a Lei),
David Jenssen em O'Hara. Fez mais recentemente a voz do Super-Homem/Clark
Kent (Superman, The Animated Series), Freeza no desenho Dragon Ball
Z, Demon no desenho Samurai Warriors, Thor em Cavaleiros do
Zodíaco. Já no ramo dos longla-metragens, entre tantos outros, Campanile
dublou Steve Mc Queen na primeira versão dublada para a TV de "Papillon",
Christofer Reeve em "Em Algum Lugar do Passado" e mais recentemente Al Pacino em
"Insônia", Clint Eastwood em "Menina de Ouro" e Robert Redford em "Um Lugar Para
Recomeçar". Era bancário quando começou a dublar, mas já havia trabalhado por
sete anos na antiga Companhia Telefônica (CTB), lugar onde adquiriu
grandes conhecimentos artísticos por ter feito parte do elenco do Teatro de
Ensaio do Telefônica Clube. Também fez rádio-teatro que foi outra escola
para a posterior profissão de dublador.
Neville George: Este dublador era representante
comercial, quando foi descoberto nos estúdios de dublagem. Passou a falar por
vários personagens famosos, como Dr. Doug Phillips (O Túnel do Tempo),
James West, Coronel Hogan (Guerra, Sombra e Água Fresca), Dr.
McCoy (1ª voz da dublagem original da série clássica de Jornada nas
Estrelas) e o narrador da Corrida Maluca. Morreu em 2002, quando
ainda trabalhava como locutor oficial da Rede TV!.
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Celso Vasconcelos, Francisco
Milani, Carlos Marques, Marcelo Gastaldi e Neville
George. |
Amaury
Costa: Dublou magistralmente o Dr. Benton
Quest (Jonny Quest), Robô
(3ª voz em Perdidos no
Espaço), o tirano Vangore (Cavaleiros da Arábia), Ace McCloud
(Os Centurions) e o Pinguim Dan (O Mundo de Beakman). Faleceu em
meados dos anos 90.
Cleonir
dos Santos: Famoso por dublar crianças e
jovens, foi também ator de novelas. Já é falecido. Dublou Sinbad Jr., Johnny
Storm/Tocha Humana (Os 4 Fantásticos), Huck Finn (As Aventuras de
Huckleberry Finn), Stanley Chan (Charlie Chan), Scooby-Loo
(Scooby-Doo), Speed Racer (na dublagem original), Chip Chase
(Transformers), Dennis - o Pimentinha (série animada), o ratinho Tagarela
(Elefantástico), Aquamoço (na primeira versão de Os Jovens Titãs),
Mickey Mouse, Ben Grimm (em sua forma normal em A Coisa), Bat-Mirim
(As Novas Aventuras de Batman), Pete (Godzilla), Pato Quack
(Corrida Espacial do Zé Colméia), o jovem índio Gene Fox (Lassie)
e a primeira voz do ator Ralph Macchio em "Karatê Kid".
André
Filho: Outro grande dublador já falecido
(14/03/97). Dublou Tim O'Hara/Bill Bixby (Meu Marciano Favorito);
Corredor X (Speed Racer), o
super-gêmeo Zan (Super-Amigos), diretor Skinner (1ª voz em Os
Simpsons), o carangueijo Sebastião ("A Pequena Sereia"), Capitão Guapo (A
Corrida Espacial do Zé Colméia), Cyborg/Lee Majors (O Homem de Seis
Milhões de Dólares), Henry Chan (Charlie Chan), Larry (Clue
Club), Baixinho (Ursuat), Jocas (Os Muzzarelas), narrador da
série Lancelot Link, Jonathan Hart (Casal 20), o ator Burt
Reynolds (nos filmes "Quem Não Corre Voa", "Agarra-me Se Puderes" e outros),
Super-Homem/Christopher Reeve (nos filmes do Super-Homem), os personagens
Rambo, Marion Cobretti e Rocky (interpretados pelo ator Sylvester Stallone) e
Roger Moore ("007 Viva e Deixe Morrer", "007 Contra o Homem Com a Pistola de
Ouro" e "O Espião Que Me Amava").
Darcy Pedrosa: Fez muitos filmes dublando o ator
Chuck Norris, o Coringa em "Batman - O Filme" (1989), o macaco chamado Macaco em
"George, o Rei da Floresta", Senador Palpatine em "Guerra nas Estrelas - A
Ameaça Fantasma", que foi seu último trabalho como dublador. Entre as séries e
desenhos, dublou Chefe Apache (Super-Amigos), Jack Pallance (Acredite
Se quiser), Optimus Prime (Transformers) e o gênio Shazzan
(Shazzan). Também foi radialista e faleceu em 1999.
Sílvio Navas: Fez Esquilo Secreto (O Esquilo
Sem Grilo), narrador (Dinamite, o Bionicão), Scooby-Dão
(Scooby-Doo e Hó...Hó...Límpicos"), Gómez Addams (versão animada
anos 90 da Família Addams), Papai Smurf (Os Smurfs), o vilão
Darkseid (Super-Amigos), Deslock (Patrulha Estelar), Monstro
Estelar (Silverhawks), Pitty (amigo de Mcgyver em Profissão
Perigo), Carl Sagan (Cosmos) e Charles Ingals (Os Pioneiros).
Dubla até hoje.
Pietro
Mário: Ator e dublador, protagonizou o herói infantil Capitão Furacão na
Rede Globo nos anos 60. Com um vozeirão cavernoso e profundo, está na
ativa até hoje. Dublou Falcão 7 (Homem-Pássaro), Billy (Baretta),
Capitão Caverna e John Bosley (1ª voz da dublagem original de As Panteras). Em seus trabalhos
mais recentes, fez Rafiki ("O Rei Leão"), Sultão ("Aladdin") e o narrador (Yu
Yu Hakusho).
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Amaury Costa, Cleonir dos Santos,
André Filho, Sílvio Navas e Pietro
Mário. |
Osimiro Campos: Emprestou sua voz a Dick Sargent
(A Feiticeira), foi narrador do anime Saber Rider, Karas
(Spectreman) e o Professor Girafales (2ª e atual voz em
Chaves).
Márcio Seixas: Dono de uma voz grave e marcante,
dublou o Homem-Pássaro, Sr. Spock (redublagem da série clássica de Jornada
nas Estrelas), Walt Disney ("Disneylândia"), Batman/Bruce Wayne (Batman,
The Animated Series), James Bond, Bill Cosby (na série), The Tick, Alfred
("Batman Beggins"), Sr. Incrível ("Os Incríveis"), Jim Rockford (Arquivo
Confidencial), os atores Leslie Nielsen em vários de seus filmes de comédia
e Qui-Gon Jinn ("Guerra nas Estrelas - A Ameaça Fantasma").
Orlando Prado: Dublou a Lula Lelé, Dan Tunner
(Vega$), Bicudo (Bicudo, o Lobisomem), J.R. Ewing (Dallas),
John Bosley (2ª voz na dublagem original de As Panteras), Mini Polegar
(Mini Polegar & Yogui), Dragão Negro (no filme "Rambo - Programado
Para Matar"), Sandor (Patrulha Estelar), Aquaman
(Super-Amigos), Salsicha (2ª voz em Scooby-Doo), Fred Flintstone
(Os Flintstones nos Anos Dourados) e Metralha Pipa (1ª voz em Duck
Tales). Faleceu no início dos anos 90.
Garcia
Neto: Dono de uma voz bastante empostada, foi dublador e diretor de
dublagem. Em casa, haviam mais dois dubladores: sua esposa, Dolores Machado, e o
filho, Garcia Júnior. Faleceu em 1997, aos 65 anos. Dentre seus inúmeros
trabalhos, foi Jaga (Thundercats), Homem-Fera (He-Man), Max Ray em
(Os Centurions), Sr. Miyagi (no desenho animado Karatê kid), Chefe
Apache e Samurai (Super-Amigos), os atores Burt Lancaster, Charles
Bronson e Gregory Peck, Stargazer (Silverhawks), Arnoldo (entregador de
jornal em Os Flintstones). Também foi narrador e personagens secundários
na série clássica do Pica-Pau.
Garcia
Júnior: Filho do veterano Garcia Neto, dublou Príncipe Adam/He-Man, Fera e
Gaston (A Bela e a Fera), Gênio (Os Smurfs), Richard Dean
Anderson/MacGyver (Profissão: Perigo), Arnold Schwarzenegger (em diversos
filmes), William Shatner/Capitão Kirk (dublagem atual da série clássica de
Jornada nas Estrelas) e Chuck Wagner/Automan (Automan).
Waldyr
Guedes: Dublou Larry Tate/David White (A
Feiticeira), Olho-Vivo, Bóbi Filho (Bibo Pai & Bóbi Filho),
Barney Rubble (2ª voz, em Os Flintstones), Hardy (Lippy &
Hardy), Xuxú (Manda-Chuva) e Fofoquinha (2ª voz em Matraca-Trica
& Fofoquinha). Faleceu em 1977.
- Eleu
Salvador: Geralmente fazia aquelas vozes de cientista louco com sotaque
francês nos desenhos do Pica-Pau. Dublou também o Sr. Sulu (dublagem
original da série clássica de Jornada nas Estrelas), Henry Gloop (na
série animada Jeannie) e o zelador Henry Órbita (no remake de 1984 de
Os Jetsons). Mas talvez, seu trabalho mais marcante tenha sido na voz
brasileira do ator Christopher Lloyd (Dr. Brown), nos filmes e no desenho da
franquia "De Volta para o Futuro". Está aposentado.
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Osimiro Campos, Márcio Seixas,
Garcia Neto, Garcia Júnior e Eleu
Salvador. |
Roberto
Barreiros: Fantástico dublador que abandonou a carreira, mas ainda segue na
vida artística como cantor de música brasileira pelo interior do Brasil.
Barreiros foi radialista e humorista, o que lhe rendeu o Troféu Roquete Pinto
como revelação do humorismo brasileiro de 1964. Fez sucesso com o personagem
"Arquimede Pitagórico" e com o quadro "Vou morrer de rir". Nesta mesma época,
trabalhou na Gravasom como dublador exclusivo dos desenhos
Hanna-Barbera no Brasil. Houve uma época em que Barreiros tinha que fazer
pelo menos uma voz em cada novo desenho "HB" que iria estrear por aqui. E o
melhor de tudo: suas vozes não se pareciam umas com as outras, o que mostra que
foi um excelente dublador. Veja só o time de personagens que ele dublou: Sr.
Twiddle (Wally Gator), Tartaruga Touché, Tinker (Speed
Buggy), o baterista Wally (Butch Cassidy e Os Sundance Kids).
Destaque para os desenhos Pepe Legal e Jambo e Ruivão, onde
Barreiros fez mais que uma voz. Em Pepe Legal, ele dublou o próprio Pepe,
o burrinho Babalú e o narrador! Em Jambo e Ruivão, também fez três
participações: Jambo, Ruivão e o narrador. "Matador e Mata à dor", lembra-se?
Levando em conta que naquela época não haviam os recursos tecnológicos de hoje,
Barreiros tinha que dublar os três personagens em tempo real...
Domício
Costa: Fez Dick Vigarista (Corrida Maluca), Prefeito (Meninas
Super-Poderosas), Eustáquio (Coragem o Cão Covarde), Ito (na dublagem
original de Ultraman), Narrador (O Regresso de Ultraman). Continua
na ativa.
Ronaldo
Batista: Vivo até hoje, Ronaldo estava entre os primeiros rádio-atores que
foram convidados para dublar no Brasil. Entre seus trabalhos, fez o Tenente Rip
Masters (Rin-Tin-Tin), Richard Basehart/Almirante Nelson (Viagem ao Fundo do Mar) e foi
narrador das historinhas Disney, que eram lançadas em discos compactos
coloridos. Fez também a narração de muitos comerciais da TV e rádio.
Não posso
deixar de citar o inimitável Marthus Mathias, que teve o privilégio de
ser a voz mais perfeita para um personagem que um dublador sonharia. Faleceu
precocemente aos 51 anos em janeiro de 1995. Foi também ator de cinema e tevê.
Sua voz ficou eterna ao dublar Fred Flintstone (Os Flinstones).
Para
finalizar, citarei a perda irreparável e recente de Newton da Matta,
falecido em março de 2006. A partir de 1960, passou a ser convidado por Herbert
Richers e Vitor Berbara a dirigir e atuar como dublador. Dublou inicialmente
Richard Chamberlain na série Dr. Kildare. Dentre os vários personagens da
sua extensa galeria de vozes, a mais conhecida de todas foi a de Bruce Willis na
série A Gata e o Rato. A partir dela, dublou todos os filmes com Willis
(como "Duro de Matar", "Os 12 Macacos", "Armageddon" e mais recentemente "Sin
City - A Cidade do Pecado") e vários outros longas-metragens nas vozes dos
atores Dustin Hoffman, Paul Newman, Louis Jordan, Mickey Rourke, James Farentino
e Peter O'toole. Dirigiu a dublagem de Thundercats e dublou o personagem
principal Lion. No teatro, atuou como o primeiro Pedrinho do "Sítio do Picapau
Amarelo". Com este currículo invejável ele já se tornou
eterno...
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Roberto Barreiros, Domício Costa,
Ronaldo Batista, Marthus Mathias e Newton da
Matta. |
Doces Bárbaras!
O time de
mulheres dubladoras, como não poderia ser diferente, é tão espetacular quanto o
dos homens. De vozes de mulheres fatais a personagens infantis, elas também
deram um toque todo especial para que nossa dublagem fosse reconhecida como uma
das melhores do mundo. Isto graças ao profissionalismo e talento dos
envolvidos.
Sumara
Louise: Largou a carreira de economista e passou a ser umas das
profissionais mais requisitadas do mercado de dublagem. Inicou como dubladora em
1973 na Herbert Richers. Em 1975, passou num teste e emprestou sua voz
para Sabrina (As Panteras).
Fez também Moça Flutuadora (Galaxy Trio), Sabrina (Capitão Caverna
& As Panterinhas), Maxie (Gasparzinho, o Fantasma Espacial),
Maddie Hayes (A Gata e o Rato) e as atrizes Kelly Le Brok, Mery Strrep,
Cher, Glen Close e Angelica Houston. Sumara ainda dubla, é diretora de dublagem
da empresa Wanmacher (RJ) e presidente da ANAD - Associação Nacional
dos Artistas de Dublagem. Como atriz, chegou a participar da série "global"
O Bem-Amado, interpretando Cremilda, mulher do vereador Lulu Gouveia.
Maria
Inês: Fez Will Robinson (2ª voz em
Perdidos no Espaço), Bam-Bam quando pequenino (Os
Flintstones), o menino-cientista Bob Conroy (2ª voz em Frankenstein Jr.), Dino Boy, Sgto.
Whitaker (Papai Sabe Nada), Pimentinha (na série clássica O Pimentinha), a pequena Oreu
(2ª voz em Maguila, o
Gorila) e Israel Boone (1ª voz em
Daniel Boone). Atualmente, ministra aulas de técnica vocal.
Carmen Sheila começou sua vida profissional por
incentivo do pai, fazendo um teste na Rádio Nacional e anos mais tarde,
estreou como dubladora. Uma das primeiras personagens foi a Marylin (Os Montros) e Laura (Os
Pioneiros). Depois vieram, Meg Carson (Pássaros Feridos), Cheetara
(ThunderCats), Dee Dee (O Laboratório de Dexter) e Felícia
(Tiny Toons).
Miriam Fisher: Foi convidada a dublar quando
tinha apenas 13 anos e acabou se encantando com a novidade. Já trabalhou em
quase todos os estúdios e tem um currículo extenso: Piggy (Muppet
Babies), Valerie (Ally McBeal), Charlene (Família Dinossauro),
Lilica (Tiny Toons) e a Vaca (A Vaca e o Frango).
Helena
Samara: Outra veterana da dublagem, fez lá nos anos 60 a voz de Vilma
Flintstone (Os Flintstones), Agnes
Moorehead/Endora (2ª voz em A
Feiticeira), Ten. Uhura (na dublagem original da série clássica de
Jornada nas Estrelas), Maureen Robinson (Perdidos no Espaço) e Barbara Bain
(na série clássica de Missão: Impossível). Nos
anos 80 e em 2006, dublou a Dona Clotilde (Chaves).
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Sumara Louise, Maria Inês, Carmen
Sheila, Miriam Fisher e Helena
Samara. |
Juciara Diácovo: Dona de uma voz "aveludada", fez
Jennifer Hart (Casal 20), Dana Sculy (Arquivo X), Penélope
Charmosa (Corrida Maluca e na dublagem original de Os Apuros de
Penélope), Daphne (Scooby-Doo), Dana Scully (Arquivo X), Sara
Pezzini (Witchblade - A Série) e Gasparzinho.
Ilka
Soares: É dona da voz entonada da Mulher Maravilha (Super-Amigos).
Foi atriz nos anos 60.
Selma Lopes: Dublou Marge
(Os Simpsons), Madame Patilda (DuckTales), Vovó Fa ("Mulan"),
Slappy (Animaniacs), Tia May (Homem-Aranha). Atua no "Sítio do
Picapau Amarelo", como a Vovó Caipora.
Marisa Leal: Seu trabalho mais marcante foi como
Baby (Família Dinossauro).
E, por fim,
Sylvia Salusti: Começou a carreira em 1992, fez teatro e depois começou a
estagiar na Herbert Richers. Fez Jean Grey (no desenho clássico e na
trilogia de X-Men), Blossom, Gabriele (Xena, a Princesa
Guerreira), Buffy (Buffy, a Caça Vampiros), o famoso pássaro Piu Piu
e muitos outros.
Jovens e Experientes!
Como não me
atiraram nenhuma pedra ainda, há que se reconhecer o trabalho desenvolvido por
este elenco de jovens dubladores, que despontaram para o mercado principalmente
nos anos 80/90. Mas a turma da velha guarda tem reclamado, dizendo que tem muita
gente que não é da área tomando o lugar de profissionais, o que pode ocasionar a
falta de trabalho para muitos. Confira agora quem são estes novos
talentos.
Nizo
Neto: Talvez você não saiba, mas este filho de Chico Anísio tornou-se
dublador de respeito. Dublou Mickey Mouse, Presto (Caverna do Dragão) e
Willy Cat (Thundercats).
Selton
Mello: Outro artista global que tem um currículo respeitado entre novelas e
também faz dublagens. Fez Charlie Brown (redublagem de Snoopy) e Ralph
Machio (no filme Karate Kid). Também já dublou as vozes de Tom Hanks e
River Phoenix.
Guilherme Briggs: Quando criança, brincava com o pai gravando
histórias de terror. Aos 20, fazia teatro amador e resolveu fazer um teste. Para
sua surpresa, foi aprovado para dublar um Klingon - (Jornada nas
Estrelas), Buzz LihtYear ("Toy Story"), Samurai Jack, Freakazoid e as vozes
de Jim Carrey e Brendan Fraser.
Ricardo
Juarez: Na adolescência tinha voz fina, o que o deixava insatisfeito. Então
resolveu fazer um curso para educá-la. A partir daí, virou locutor, provou ter
talento ao fazer um teste e foi aprovado. Seus primeiros trabalhos: Johnny
Bravo, Tigra (ThunderCats) e John Dogget (Arquivo X).
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Ilka Soares, Selma Lopes, Marisa
Leal, Guilherme Briggs e Ricardo
Juarez. |
The End... O Fim
Se você se
interessou por esta profissão, saiba que para se tornar um dublador é preciso
ter registro no DRT (Delegacia Regional do Trabalho) como ator, o que o habilita
a literalmente botar a boca no trombone.
Muitos
reclamam – com razão – quando a voz de determinado personagem é trocada,
deixando-nos órfãos a ponto de não assistirmos mais a determinado programa.
Porém, às vezes se faz necessária esta mudança. Por exemplo: quando ocorre a
morte de um dublador, perda ou deterioração das trilhas masters
(originais). Bem, aí não tem remédio. Por
melhor que seja o dublador escalado para substituir a voz original brasileira,
se ela não ganhar a empatia do telespectador, haverá guerra. Os fã-clubes tem o
poder de moverem montanhas quando exigem respeito e qualidade da dublagem de
seus programas favoritos.
Hoje ainda
podemos assistir a alguns filmes, seriados e desenhos com as dublagens que nos
encantaram no passado. Mas já imaginou o Agente 86, A Feiticeira, Jeannie é um Gênio, Os
Flintstones, Scooby-Doo etc, falando no original em inglês? Sem
dúvida há quem prefira o som original com legendas, mas são vários os motivos
para que ocorra a dublagem no Brasil, como o analfabetismo, pessoas idosas, as
crianças e os portadores de deficiência visual. Para agradar a todos, nada como
ter disponível a dublagem, o som original e as legendas, algo possível nos
DVDs.
Fonte:
www.retrotv.com.br
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